GAS-TRO-PLAS-TIA*


(*) Também chamada de Cirurgia Bariátrica, Cirurgia da Obesidade ou ainda de Cirurgia de redução do estomago, é, literalmente, a plástica do estômago (gastro = estômago, plastia = plástica). É uma cirurgia realizada em pessoas com o peso muito acima do ideal, os chamados obesos mórbidos.

Quando eu falei que iria operar um monte de gente foi contra, desde meu Pai a amigos. Na época eu tinha uns 25 anos, acho. E todo mundo achava que a minha obesidade era sem-vergonhice, que uma bela de uma dieta, remédios que deixam você muito doida, exercício até cair desidratada de tanto suar e, é claro, força de vontade, iriam resolver meu problema rapidamente.

Mas o fato é que essas pessoas eram todas leigas da MINHA VIDA. Leigas do meu organismo, leigas de mim. Quem disse que eu não vivia de dieta? Quem disse que eu não tentava fazer exercícios físicos? Mas para vc que pesa 50-60kg malhar é fácil, para mim que pesava mais de 110kg subir escadas era um martírio. E manter a boca mechada?! P... eu mantinha, ao meu modo, mas mantinha!!! Ou você acha que o gordo não engorda?! O gordo se comer de tudo o que ele quer e tem vontade ele engorda sim, e muito mais.

Mas enfim, me vi diabética aos 20, hipertensa aos 25, obesa mórbida aos 26 e com NASH* aos 27.
(*) Chamamos de doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA, ou NAFLD, do inglês "nonalcoholic fatty liver disease") o acúmulo de gordura no fígado (esteatose) não relacionada ao uso de álcool. A esteato-hepatite não-alcoólica (EHNA, ou NASH, do inglês "nonalcoholic steatohepatitis") é uma DHGNA onde a presença da esteatose está relacionada a uma inflamação no fígado (hepatite). Assim, a esteatose hepática ("fígado gorduroso") e a EHNA são apresentações diferentes da NAFLD, sendo que a primeira pode evoluir para a segunda. A cirrose de causa indefinida (criptogênica) onde observa-se esteatose, mas não há sinais de EHNA ativa, também está classificada como DHGNA.

Resolvi operar! A operação tinha lá seus riscos como todas outras, mas eu também corria risco de morte com todas as comorbidades que apresentava aos vinte e poucos anos de vida. Para quem vai operar, não pense que todo mundo vai concordar com vc, que todo mundo vai te apoiar de cara. Você tem que estudar sobre o assunto, tem que esclarecer todas as suas dúvidas, seus medos, saber os risco e estar ciente do que vai acontecer com vc daqui pra frente, porque tem gente – que ao contrário de mim – que opera e não consegue mais comer um chocolate por causa da Síndrome de Dumping*, como Charles – meu noivo, que também é operado - tem com alguns alimentos preparados assados e não cozidos. E quando você estiver segura(o), todos vão te apoiar e mimar, mas tudo tem que partir de você mesmo.
(*) A síndrome de dumping é uma resposta fisiológica devida à presença de grandes quantidades de alimentos sólidos ou líquidos na porção proximal do intestino delgado. A causa dessa síndrome é o rápido esvaziamento gástrico que pode se seguir à gastrectomia total ou subtotal, a manipulação pilórica, resultando em perda da regulação normal do esvaziamento gástrico e das respostas gastrointestinais e sistêmicas diante de uma refeição. Esse rápido esvaziamento gástrico pode refletir em liberação inapropriada de hormônios intestinais, que propiciam os sintomas gastrointestinais, como plenitude e distensão gástrica, dor abdominal, diarréia, sudorese, taquicardia, dentre outros. Esses sintomas podem aparecer rapidamente, dentro de 10 a 30 minutos após a refeição (precoce), ou cerca de duas a três horas depois (tardio). O rápido esvaziamento gástrico leva a maior oferta de carboidratos ao intestino delgado proximal, pois a glicose (forma simples do carboidrato) é rapidamente absorvida. Por isso, os pacientes predispostos devem ter alguns cuidados, como: reduzir o consumo de carboidratos na dieta; realizar pequenas refeições; evitar a ingestão de líquidos durante as refeições, dentre outros. A suplementação de fibras pode retardar a absorção de carboidratos e reduzir a carga glicêmica e, consequentemente, reduzir a resposta insulínica.

Mas quer saber, mesmo se eu tivesse dumping teria valido muito a pena. Vc sabe o que é viver sem espetar seus dedos todos os dias pra saber se sua glicose está alta e você pode ou não tomar um suco durante o almoço?! Você sabe o que é entalar numa catraca de ônibus?! Você sabe o que é chegar Natal, Ano Novo e rodar em todas as lojas durante meses algo que te caiba e nada cabe? Se você não sabe vc é uma pessoa abençoada, com saúde e magra, portanto se um dia vc encontrar um gordinho e ele disser:

“Poxa, estou pensando em fazer a cirurgia de redução de estômago...”

Se, esse seu amigo se encaixa no quadro para fazer a cirurgia que são segundo OMS:

● Pessoas com Índice de Massa Corpórea (IMC) igual ou superior a 40 Kg/m².
● Pessoas com Índice de Massa Corpórea (IMC) entre 35 e 40 Kg/m², que apresentem doenças associadas a obesidade como diabetes, hipetensão, apnéia do sono, dislipidemia e artropatias.

Dê força, estude com ele os risco, mas dê ao seu amigo, familiar, marido, ficante ou afins a chance de ter uma nova vida. Uma vida saudável. Dê a ele a chance de ter a vida que VOCÊ tem, porque ele não vive como vc, ele sobrevive; assim como eu apenas sobrevivia há um pouco mais de um ano atrás.

1° Encontrão Família Fotolog Recife 124


Antes. Eu era a da direita, é claro! E era comum de minha pessoa me esconder atrás de crianças, móveis, pessoas ou qualquer coisa que cobrisse ao menos metade do meu ser nas fotografias.


11 Meses de Gastroplastia


Hoje (na verdade essa foto é se uns meses atrás, meu corpo está mais firme agora). Sem plásticas, sem diabetes, sem hipertensão, seguindo a RA (reeducação alimentar), é claro, e começando a fazer exercícios, porque Deus é Pai mas preguiça é pecado e a gente tem mais é que se movimentar; e muito!


4 comentários:



Lara disse...

Bi, só posso dizer uma coisa: parabéns! Porque mesmo com a cirurgia é preciso ter muita força de vontade pra ficar assim. Você está linda e o mais importante: com saúde!
beijos

Maíra disse...

Ah, eu deixei um comentário no seu post sobre a vacina da H1N1, mas esqueci de te passar um link muito bom com notícias sobre o outro lado da vacinação: http://www.anovaordemmundial.com/2010/04/verdadeiras-noticias-sobre-gripe-suina.html

claudia disse...

Um monte de gente desceu a lenha quando resolvi operar também. graças a Deus me fiz de surda. Hoje todo mundo comenta minha alegria e boa forma. Até os que meteram o pau...

claudia disse...

Só um gordo para entender outro gordo.... me identifiquei totalmente. Beijinho

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