então tá, momento mulherzinha-mulherzinha...

e eu ando mulherzinha-mulherzinha demais. vc não sabe o que é ser uma mulherzinha-mulherzinha?! tu podes não saber o que é, mas com certeza é uma também. afinal toda e qualquer mulher já comeu uma caixa de 'bis', por ansiedade, uma alface, no almoço, por vaidade ou, um canalha por saudade. enfim, nós somos assim, perfeitinhas, charmosinhas e vaidosas.

eu tenho tido muitos momentos de vaidade ultimamente. a começar pelas compras de roupas que não param. o melhor de tudo é que poucas - ou quase nenhuma - dessas minhas últimas aquisições tem saído do meu próprio bolso. eu tenho encontrado ótimas promoções e tanto charles quanto papai vem patrocinando minhas compras de bom grado. thank's God!!!

a questão das roupas não foi tanto nem por vaidade é necessidade mesmo. perdi quase todas as minhas roupas com o emagrecimento, até os pijamas antigos não serviam mais e para ser sincera eu não fazia questão de roupas moderninhas ou novas a cada final de semana antes da gastroplastia (...) também podera, achar roupas para mim era um verdadeiro inferno - blusas do GG pra cima, e calças do 54 pra cima -. hoje em dia não, né?! tudo mais fácil. qualquer número P entra, se não tiver tamanho pequeno uma M também veste bem. e com isso eu fiquei sim mais vaidosa. me olho no espelho beem mais que antes, acho fofo o caimento de algumas roupas no meu novo corpo e descobri novos prazeres; além de, é claro, ainda cultivar os antigos, como a maquiagem por exemplo.

meu lado mulher de ser sempre foi muito aflorado quando o assunto eram cremes, hidratantes, produtos para cabelos e maquiagem. eu não tive minha mãe para me ensinar de fato a gostar de tudo isso - ela faleceu quando eu ainda estava na adolescencia, então curti pouco esses ensinamentos que são passados de mãe para filha -, mas mesmo assim me tornei uma mulher antenada quando o assunto é make-up, igualzinho como minha mãe era. acho que eu nunca contei, não da forma que vou contar agora, mas minha mãe nasceu na década de 20, no fim dela é verdade, mas nasceu. e os valores para mulheres naquela época eram muito diferente dos de hoje em dia: as mulheres deveriam ser criadas para serem excelentes donas de casa e mães.

mas com minha mãe foi diferente. mamãe cresceu numa casa com dez irmãos, sendo cinco homens e cinco mulheres. todos eles estudaram, se formaram e viveram suas vidas independentemente dos padrões da época. sendo mais clara eu digo que mamãe se formou em pedagogia, trabalhou e só então, lá pelos 45 anos é que ela casou. vamos e convenhamos que isso é moderno demais até para os tempos de hoje! como não podia ter mais filhos mamãe e papai adotaram meu irmão e eu. para se ter idéia de como mamãe traçou um destino único para ela eu vos digo que ela me adotou aos 51 anos de idade e foi exatamente na mesma época que ela se aposentou por tempo de serviço da secretária de educação daqui de pernambuco. pouco comum, não?! mas assim era a minha mãe... absorvendo desafios quando as pessoas pensavam que nem tinham mais direitos a eles. transgredindo de uma forma tão única que as pessoas não achavam que ela estava sendo ousada, ela apenas estava sendo ela mesma.

com minha mãe eu aprendi a gostar de produtos pond's, a combinar roupas de várias épocas a um estilo único de ser, a amar sapatos altos - mesmo eu tendo 1m72 de altura - e a conquistar todos os meus sonhos, sejam eles quais for. mamãe sabia dirigir, mas achava mais elegante ser conduzida. minha mãe achava o fim não se ter dentes perfeitos ou não cuidar deles; para ela o sorriso de alguém era o maior de todos os cartões de visita. mamãe pode não ter tempo para me orientar sobre educação sexual ou coisas do tipo. ela não teve tempo para conhecer meu primeiro namoradinho, mas ela deixou uma herança única dentro de mim, ela me deixou um espelho a ser seguido que era ela mesma.

amiga, competente em tudo aquilo que faz, fiel, cortês, gentil, elegante, educada, refinada, discreta, vaidosa, cuidadosa, zelosa, excelente dona de casa, leal, prestativa, esposa impecável e mãe amorosa era o que minha mãe era e é o que eu tento ser a cada dia um pouco mais.

mas, com essa reforma que estou fazendo aqui em casa descobri muitas coisas de minha mãe que eu só sabia muito superficialmente como, por exemplo, a paixão dela por cristais, louças, porcelanas e faqueiros. tudo bem que eu sempre soube que tinha tudo isso aqui em casa e que eu havia herdado tudo isso, mas era meio doloroso olhar para aquilo tudo e em raras ocasiões eu retirava algo para usar já que o estoque de pratos, talheres e copos de dia-a-dia daqui de casa é muito grande. mas enfim veio a reforma e com ela uma enxurrada de coisas novas-velhas. novas no sentido que eram quase inéditas para mim e velhas porque muitas foram do enxoval da minha mãe. coisas super antigas e intocadas, louças mineiras ainda dentro da caixa, talheres italianos... verdadeiras relíquias que hoje em dias é muito raro de se ver, ainda mais em tão perfeito estado.




ver isso tudo foi quase como abrir uma arca do tesouro. fiquei encantada com tudo e pensando que minha mãe escolheu tudo aquilo detalhe por detalhe, eu jamais poderia ter feito trabalho melhor. é de fato uma herança, mas não só pra mim, minha idéia é fazer desse acervo algo acessível para muitos, mais ainda não sei como, vou pensar numa maneira disso se realizar. o blogger já ajuda um bocado, mas ao vivo e a cores tudo vida bem mais belo, posso garantir. enfim, foi uma grata surpresa de Natal descobrir tantos detalhes, redescobrir minha mãe.

me orgulho até demais de ser minimamente parecida com o jeito de ser dela porque isso não é o meu natural. eu não nasci com o dom de saber com qual talher isso combina ou como o guardanapo deve estar disposto a mesa; eu me esforço pra ser assim na verdade. me esforço porque eu achava (e ainda acho) lindo isso na minha mãe e quero um dia que meus filhos tenham essa admiração por mim e pela avó deles. eles não vão poder conhecer a avó pessoalmente mas vão ouvir todos os dias, antes de dormir, lindas histórias sobre a mulher da minha vida: a minha mãe a quem devo tudo e mais um pouco.

para minha mãe o jeito mulher-mulherzinha de ser era assim, divinamente único. quando eu digo mulherzinha-mulherzinha é praticamente batendo palmas para nós MULHERES que é claro já em algum dia de nossas vidas já apertou o pé no sapato para caber, a barriga para emagrecer ou um ursinho para não enlouquecer e mesmo assim, mesmo com todos os problemas da vida, continuamos lindamente mulheres.

2 comentários:



claudia disse...

Lindas as louças da sua mãe. Algumas até lembraram as da minha e o jogo de café de que parece barro eu também tenho um igual!!! Beijinho

Laís Assis disse...

Pois é, Bi! Eu mesmo vivo tentando ser moderninha, durona... Mas me denuncio nos gestos: mulherzinha, mulherzinha... rsss

Bonita homenagem a sua mãe!

Bjão!

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