das coisas que nos entorpecem na madrugada.

sabe quando você acorda, do nada, no meio da noite e começa a pensar em tudo? os pensamentos começam a vir como ondas, ondas cheias, bravas e salgadas. tudo parece vir em blocos, de bolo, e incrivelmente diferente ao mesmo tempo que estão intimamente juntas. como, por exemplo, o fato de eu querer me alimentar melhor, parar de tomar de refrigerante pode coexistir com uma tese sobre homens e mulheres, sobre relacionamento? não sei, mas ambos vieram na mesma onda.

olhando atentamente para as gotículas salgadas do todo eu me vejo, consigo ver charles. reavalio meu passado e tento traçar um futuro prazeroso, descomplicado e feliz em todos os pequenos minutos. para o futuro essas coisas são o que mais desejo. desejo ser menos estressada, não ter tanto compromissos régios, fixos o marcados. mas, em contra partida, desejo poder dormir e acordar na mesma hora; desejo viver cedo.

viver tudo antes, sorver todas as prévias, degustar todos os meus ‘primeiras vezes’ e que me sejam dadas muitas virgindades ainda. porque eu gosto da rotina, mas que nesta rotina existam surpresas, seja uma flor deixada no travesseiro vazio de charles – ele sempre fica assim há cada nova manhã de trabalho – ou numa gravidez inesperada.

isso é tudo o que a onda deve sempre trazer: felicidades.

mas a onda sempre volta também. ela volta pro mar como as estações de ano sempre voltam, com rebeldia, meio vingativa, rancorosa e rápida. sem tanta força, mas traiçoeira ao ponto de poder te levar, sem esperar. essa parte eu posso concluir que são os problemas, os obstáculos que a vida tem. eu os aceito bem, eles desafiadores e eu gosto disso! gosto de metas a seguir, como batalhas. contanto que a mesmas não se tornem cruzadas seculares e topo de bom grado. elas – as lutas cotidianas – fazem o sono ser mais relaxante, a cama ser mais valorizada. e é exatamente disso que eu gosto, esse é o meu ponto favorito da vida: a bonança pós tempestade.

a maré baixa pós ressaca.

os louros de uma vitória. – o sono merecido depois do trabalho suado e bem feito.

a calmaria.

mas não uma calmaria qualquer, gosto da calmaria depois um parto normal, da sensação de olhar a cria miúda e sua depois de horas de dor e força descomunal. a calmaria da madrugada depois que você acorda de um pesadelo tão brutal que agradece baixinho pela vida, pela sua vida. ela agora te parece tão perfeita quanto à vida das insossas princesas de conto de fadas.

não me entendam mal, não digo ‘insossa’ com inveja ou algo do tipo. mas é que parar ser um conto de fadas, primeiramente precisa ser conto, não é mesmo? precisa ser uma mentira, afinal qual mulher não tem vontade de matar seu príncipe em dias de TPM? as princesas nunca têm! elas são felizes para sempre e pronto.

isso é chato, ao menos pra mim.

eu quero sim ser feliz para sempre, mas quero também uma dor de cabeça regada a analgésicos, um problema para que eu possa maquinar a solução, quero algumas gripes que possam ser curadas com beijinhos, denguinhos e, é claro, um benegrip. quero o desafio de uma maré cheia todos os dias da minha vida, brindados com uma brisa tranqüila de marola todas as noites, para que eu possa dormir em paz, imaginando que não poderia ser mais feliz, como agora.

quero ser sempre assim, salgada. mas, com um gole de água doce ao final!

esquevi isso hoje de madrugada, quando acordei por volta da 1hrs da manhã. ah, e sem contar que hoje eu completo 1 ano de gstroplastia. os louros e as trevas da nova vida vcs puderam acompanhar bem de pertinho e a minha conclusão depois disso tudo é que valeu a pena demais até.

3 comentários:



Priscila disse...

Oi menina,
Que baita reflexão hein?

Parabéns pelo primeiro ano de gastro.

Bjssssssssssssss

claudia disse...

Obrigada pela dica, mas não estou achando para comprar. vc sabe onde encontro? Beijinho

Laís Assis disse...

Quanta inspiração! Que a felicidade continue ocupando todo o seu tempo e nos presenteando com textos tão belos e que nos trazem à reflexão.

Bjos da sua leitora de Salvador, que apesar de aparecer sempre, nunca deu as caras de fato... Mas tudo tem a primeira vez, não é? E a primeira sempre abre portas para muitas outras...

Bjos, Bi!

Laís

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