Para ser sincera em 81, ou seja, esse ano completo 30 anos. E como tudo mudou desde que nasci... Televisão não tinha em cada cômodo da casa; aqui em casa tinha uma colorida da sala de estar e uma em preto e branco na de jantar. Nos dias pares meu irmão tinha o direito de ver o que quisesse na TV colorida, nos ímpares eu. Mas, de verdade, ninguém ligava muito para televisão, a não ser que estivesse doente. No restante do tempo estávamos pendurados em árvores, comendo frutas da época (sem lavar, direto do pé!), tocando cigarras dos apartamentos e correndo. Fazendo o 'dever' de casa de forma coletiva, porque praticamente todo mundo tinha a mesma idade, estudava na mesma escola e morava na mesma rua.
Ah, que saudades. Os nossos melhores amigos não eram os da escola, aliás, ninguém torcia muito para ir para escola não, a gente queria era ficar na rua, de pé no chão (descalços) correndo e brincando de barra-bandeira. E na
senhora dona Cândida, as crianças eram filhas do rei e netas da rainha. Nem víamos as horas passarem enquanto nos divertíamos brincando de: esconde-esconde, pega-pega, cabra-cega, telefone sem fio, passa anel, boca de forno, estátua, dança da cadeira, detetive, adedonha. E a famosa brincadeira
cai no poço - era pra ser cheia de malícia, mas a gente se esbaldava com muita inocência. Quantas boas lembranças de um tempo dourado!
Com o tempo tudo foi mudando, mas nos divertimos. Do seu modo e a seu jeito, as crianças de hoje em dia também se divertem, mas como era bom não se preocupar se fulano tinha a Polly
numseidasquantas ou se ciclana tinha a bonequinha que come e faz
número dois de verdade (eu vi essa boneca e achei ela parecida foi com o
Chuck!!!) E as trocas de Papel de Carta? O primeiro sutiã mesmo sem peitinho? Uma comédia. E esses eram os meus amigos: a
Shirley, que morava no prédio ao lado da minha casa e era como a líder do grupinho, a
Rosa que morava na casa da frente. O Pai dela tinha uma oficina mecânica e nós tínhamos passe-livre a todos os carros, cada uma sentava na direção de um e íamos aonde a imaginação permitia. E a
Naiana? Nana era a que tinha os pais mais novos e descolados, ou seja, eles conversavam de tudo com ela, sobre sexo, menstruação, puberdade... e quando Naiana vinha correndo de lá do início da rua a gente sabia que vinha uma 'bomba' do tipo:
"meninas, minha mãe disse que quando a gente vira mocinha sai sangue do pipiu, e sem que a gente se corte!"
- Hã?! Sem se cortar...? Agora tua mãe pirou Naiana!
- Pirou nãããão, quer e lá, quer, quer?
Mas ninguém ia, um dia a bendita descia mesmo e a gente lembrava
daquele dia. Ah, é claro, tinha a mais novinha da gente, a mais bonita também por sinal: a Julia... Nossa, a
Julia era a princesinha da rua. Brinquedo lindo? Era com a Julia. Quarto tematizado, isso nos anos 90, era com a Julia!!! E Julia também era a mais estudiosa e a primeira que deixou a
nossa rua. Ela se mudou...
Havia também os chaveirinhos. Mas o que são chaveirinhos? São aqueles amigos pequenininhos, uns 5 anos mais novos que sempre são "café com leite", nas brincadeiras eles não podem ser marcados, até porque não conseguiam correr muito. Ai entravam a
Mariana, Manuela, Michele, Paulinha, Sidney, Juninho... Ah, e por falar em meninos, os grandes eram compostos por
Bruno, meu irmão,
Beto (irmão da Rosa),
Amaro e Jonathan (irmãos de Shirley),
Caio (irmão de Naiana),
Igor (irmão de Julia),
Paico e Horário (que eram irmãos) assim como
Felipe, Junior e o querido
Lula, que tinha deficiência física, ele tem até hoje uns pinos nas pernas que atrapalham o seu andar e a mentalidade dele sempre era de uns 10 anos, mesmo ele sendo o mais velho da turma toda. Sempre que passo, ainda hoje, pela frente de sua casa ele pergunta, meio gago:
- Fa-fabíola... Cadê teu Pai?
- Meu Pai tá lá em casa Lula, vendo televisão.
- E, e... e... e... tu-tu-tua mãe?
- Mainha tá dormindo Lula, tá dormindo.
Ele não sabe, não entende, que minha mãe morreu tem 12 anos e não há necessidade de se falar isso, né?
Juntando essa turma toda, a noite, depois do jantar, as calçadas ficavam cheias de cadeiras de balanço com nossas mães pajeando nossas brincadeiras e conversando 'coisas de adulto', enquanto a gente corria pra lá e pra cá.
Hoje a forma de se fazer amigos mudou,
mas nem por isso a amizade mudou.
Hoje em dia tem a internet. E como eu
gosto de tantas e tantas amizades que fiz por aqui. Tem umas, que se pudesse, abraçava apertado todo dia de manhã... Feito essa
aqui (passem lá!!!). E o carinho é tão intenso por essa ou por qualquer uma de vcs que eu só posso repetir a conclusão que cheguei sobre internet:
A internet une espíritos amigos que foram separados pela geografia... eu sempre digo isso e acredito demais. E eu que agradeço. Agradeço a presença, a confiança e carinho de sempre de todas vocês.