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Quando somos Pais dos nossos Pais ❥

Maternidade Invertida, eu tive, eu tenho, eu curto.

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Eu fui uma criança alegre, normal 'com' quê de moleca bem acentuado; mas, também era bem atenta as diferenças entre meus pais e os pais das minhas amigas. Se eu tinha 10 anos, minha mãe já estava com 61 anos, enquanto minhas amigas tinham pais de no máximo 40, contudo, eu só notava essa discrepância por conta da aparência dos meus pais e nada mais. 

Não tive pais menos ágeis, menos presentes, menos nada por conta da idade deles em minha infância. Acho até que foram mais; mais pacientes, mais calmos, mais experientes com a vida, mais conscientes dos 'sim' e dos 'nãos' e mais relaxados. Por exemplo, minha Mãe se aposentou logo que fui adotada, então ela tinha a renda dela todo mês e eu tinha a atenção total dela. Já meu Pai só aconteceu dele se aposentar quando pegou a aposentadoria compulsória mesmo, aos 70 anos, mas foi um Pai presente do tipo que pega as crias no Domingo, leva a um jogo de futebol, eu em seus ombros e meu irmão, três anos mais velho, de mãos dadas a ele, isso para curtir um pouco mais nossa infância que logo passaria e nos tornaria em verdadeiros 'aborrecentes' e, também, para dar uma folga a minha Mãe, que sempre enfrentava as doencinhas, birras, vacinas, medo de dentista e tudo que criança dá chilique mais de perto.

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Mas chega um certo tempo em que eles envelhecem e, para mim, isso aconteceu mais rápido por motivos óbvios (não que me queixe por isso, pelo contrário), todavia por ter acontecido cedo, minha adolescência durou pouco ou muito, na verdade; eu explico:

Com 15 anos eu já era acompanhante de minha Mãe em suas visitas médicas, em internações e não revesava com ninguém, nem com meu Pai, porque eu não queria sair de perto dela e ela, realmente, preferia que eu cuidasse dela.

Um certo dia, ela estava meio adoentada e nesse dia eu tinha prova na escola e não podia faltar. Fiz a prova o mais rápido que pude e voltei para casa, ao chegar encontrei minha Mãe, de cama, e dizendo que estava louca para me ver, que demorei muito :)))

Na escola, que estudei desde o maternal até o antigo 2° grau, todos já sabiam que eu, em especial, tinha uma relação fora do padrão dos restantes dos alunos. Muitas vezes eu saía antes de terminar todas as aulas porquê Mamãe tinha um médico ou algo do tipo, mas isso nunca me afetou 'pedagogicamente', tanto que sai de lá para uma Universidade Federal em um vestibular mega concorrido. Ter pais mais maduros me fez ser mais madura, comparando com os meus amigos de infância, que fique claro!

Nunca tive um porre, por exemplo, não que isso seja sinal de maturidade, mas beber de cair para 'impressionar" os amigos é incorporar a imbecilidade, ao meu ver (...) foi na Universidade conheci pileque, mas porre mesmo não. Nunca fumei, nunca fiz as coisas que meus amigos de infância estavam fazendo na época para afrontar, para dizerem que eram adultos, eu já era meio adulta e sabia disso. Se eles estavam experimentando um baseado, pela primeira vez, eu provavelmente, neste mesmo horário estava em um cinema com meus pais, jantando em um restaurante bacana ou ajudando a fazer a feira do mês. Foi um bom estágio para a vida adulta também; meus amigos também o tiveram, não da mesma forma, mas uma hora crescemos, não tem remédio para isso, seja como for.

E então, eu me me vi sendo a figura materna, primeiro da minha Mãe e hoje em dia já um pouco do meu Pai. Assumi as rédeas mesmo aos 16 anos. Marcava as consultas da minha Mãe, dava os remédios na hora marcada, pedi que meu Pai comprasse uma cama de casal para meu quarto, para que quando ela adoecesse dormisse comigo e eu verificasse as necessidades dela.

Um dos problemas de saúde da minha Mãe, era a chata da diverticulose, que a deixava dias sem ir ao banheiro e quando ia ficava para reinar no trono, literalmente. Eu peguei rápido a manha de como melhorar essas crises: levava um ventilador pro banheiro, uma cadeira para mim, fazia uma dose de buscopam com luftal para ela e esperava passar a crise, que poderia levar 2 ou até 4 horas sentada, nós duas no banheiro e uma TV/Rádio, em preto e branco, muito conhecida nos anos 90.

Ela dizia que eu podia ir, mas eu dizia que não, que ela tinha me dado a mão quando precisei vomitar, que estava comigo aguentando as dores de barrigas fedorentas e que eu não importava de estar ali, aliás, eu só queria estar ali, durante aqueles momentos, em nenhum lugar mais.

E aí está a maternidade invertida, quando nossos pais se tornam nossos filhos. E vou dizer, não tem coisa que dê mais satisfação do que vê-los bem fisicamente, melhorando de uma gripe - que seja -, com seus mimos e atenção. 

Sobre as festinhas que eu não fui, shows que não quis ir, nada disso me afetou e nem me afeta, faz parte da minha personalidade ser mais caseira, curtir programas mais calmos. Não acho que perdi nada, porque das vezes que fui, me senti um peixe fora d'água. Beijava os garotos para não ficar escutando lorota da turma toda, dançava até o chão para não ser a única em pé, até que minha personalidade ganhou força e comecei a fazer o que queria, com quem queria. Achei amigos que curtiam o que eu gostava e assim foi, assim é. 

Entre um cheiro e outro na cabeça no meu Pai, eu faço programas exclusivos com o marido, como qualquer casal e com amigos também, assim como acontece também de irmos os três ao cinema (eu, meu Pai - que já é viúvo e não voltou a casar - e meu marido), às vezes vai sogra e tudo mais. Para mim, idade não é um divisor de grupos e sim uma diversão a mais, porque escutar dos mais velhos o "quão bom era o tempo deles" é uma das minhas maiores diversões também.

Para mim ela é guerreira.

Depois de quase um ano longe, eu voltei.

Para quem me tem no facebook sabe que nunca me afastei, só estava postando mais lá do que aqui, mas devido há algumas parcerias e recentes aparições em grupos da blogosfera eu resolvi reativar, mesmo que ainda sem saber o que postarei por aqui, por enquanto vão muitas de "minhas reticências".

Então, sobre a polêmica decisão de Angelie Jolie eu venho compartilhar minha simpatia pela atitude dela. Mães são guerreiras, cada uma do seu jeito, mas assim que vestem a 'capa' de mãe, elas se tornam uma com as armas que lhe são possíveis lutar.

(segue, no fim da minha publicação, a tradução do depoimento de Angelina ao "Minha Escolha Médica"
que foi publicado no dia 14 de Maio de 2013)

Para mim ela é guerreira.

Perdi minha mãe aos 17 anos, e sei o que minha mãe passou enquanto doente, porque eu fui a acompanhante dela o tempo todo no hospital - não, ela não teve câncer, foram outras complicações, duas internações, a última com 21 dias seguidos e uma piora e, apenas 7 horas na UTI, então ela se foi -. Se foi sem esquecer dos filhos, se foi ser ver os filhos se tornarem adultos... e ela sabia que seria assim; um dia, num dia normal, ela me disse: "eu não vou te ver casar, mas estarei lá."

E bem, eu tive que continuar aqui. Sou apegada, apaixonada pelo meu Pai, mas na época, nossa relação não chegava nem perto do que tinha com minha mãe: mainha e eu eramos cúmplices, eramos confidentes, o que hoje acontece com Papai, nossa relação cresceu depois que ela se foi.

No dia da última internação dela ela me questionou: "será que eu vou morrer?" (...) eu ali já nem era mais filha dela, era mãe. Dava banho, penteava o cabelo, fiz companhia e as vezes roubava a mão sem soro dela, a noite, e dormia por cima, eram os últimos dias, mas garantia a ela que não era, para ela ficar em paz.

Ela entrou em coma, mas antes de ir para UTI acordou. Não sei se estava completamente consciente, ela continuava num apartamento que permitia que ficássemos juntas, então, de madrugada eu olhava um soro que sempre terminava por volta das 4 horas da manhã e me deparei com ela com os olhos abertos, o senho franzido. Na hora não pensei muito, mas disse a ela que estava tudo bem, que ela estava comigo, que podia dormir... mal sabia eu que ela dormiria e acordaria no céu em menos de 12 horas.

Então, se eu puder, um dia ser mãe e puder, mesmo que com dados que não garantam 100% de certeza, mesmo que eu me mutile e no outro dia uma fatalidade me aconteça, estarei em paz, pois tentei ficar mais.

Sei que cada um tem seu tempo, mas nem ao tempo eu me entrego sem lutar, assim como minha mãe.



❝Minha mãe lutou contra o câncer de mama por quase uma década e morreu aos 56 anos. Ela estendeu o tempo suficiente para conhecer o primeiro de seus netos e para segurá-lo em seus braços. Mas meus outros filhos nunca vão ter a chance de conhecê-la e sentir como ela era amorosa e graciosa. 
Falamos muitas vezes da "mamãe da mamãe", e encontro-me tentando explicar a doença que a levou para longe de nós. Eles perguntaram se o mesmo poderia acontecer comigo. Eu sempre lhes disse para não se preocupar, mas a verdade é que eu carrego um gene "defeituoso", BRCA1, que aumenta drasticamente o meu risco de desenvolver câncer de mama e câncer de ovário.
Meus médicos estimaram que eu tinha um risco 87 por cento de ter cancer da mama e um risco de 50 por cento de ter cancer do ovário, embora o risco seja diferente no caso de cada mulher.
Apenas uma fração dos casos de câncer de mama é resultado de uma mutação genética herdada. Aquelas com um defeito no gene BRCA1 têm um risco de 65 por cento de te-lo, em média.
Uma vez que eu sabia que esta era a minha realidade, eu decidi ser proativa para minimizar o risco tanto quanto eu poderia. Eu tomei a decisão de fazer uma dupla mastectomia preventiva. Eu comecei com os seios, já que o meu risco de câncer de mama é maior do que o meu risco de câncer de ovário, e a cirurgia é mais complexa.
Em 27 de abril, eu terminei os três meses de procedimentos médicos relativos às mastectomias. Durante esse tempo eu fui capaz de manter tudo em privado e continuei com o meu trabalho.
Mas eu estou escrevendo sobre isso agora porque espero que outras mulheres possam se beneficiar da minha experiência. Câncer ainda é uma palavra que provoca medo nos corações das pessoas, produzindo um profundo sentimento de impotência. Mas hoje é possível descobrir por meio de um exame de sangue se você é altamente suscetível ao câncer de mama e ovário, e depois agir.
Meu próprio processo começou em 02 de fevereiro com um procedimento conhecido como "atraso do mamilo", que exclui a doença nos ductos mamários atrás do mamilo e atrai fluxo de sangue extra para a área. Isso traz um pouco de dor e um monte de hematomas, mas aumenta a chance de salvar o mamilo.
Duas semanas depois, fiz a cirurgia de grande porte, onde o tecido mamário é removido e expansores temporários são colocados. A operação pode demorar oito horas. Você acorda com drenos e expansores em seus seios. Parece uma cena de um filme de ficção científica. Mas dias após a cirurgia, você pode estar de volta a uma vida normal.
Nove semanas depois ,a operação final é completa com a reconstrução dos seios, com um implante definitivo. Houve muitos avanços neste processo, nos últimos anos, e os resultados podem ser muito bonitos.
Eu queria escrever isso para dizer às outras mulheres que a decisão de fazer uma mastectomia não foi fácil. Mas é que eu estou muito feliz por ter feito. Minha chance de desenvolver câncer de mama caiu de 87 por cento para menos de 5 por cento. Eu posso dizer a meus filhos que eles não precisam temer que vão me perder para o câncer de mama.
É reconfortante que não vêem nada que os deixa desconfortáveis. Eles podem ver as minhas pequenas cicatrizes, e isso é tudo. Todo o resto é apenas a mamãe, a mesma que ela sempre foi. E eles sabem que eu os amo e farei qualquer coisa para estar com eles, enquanto eu puder. Em uma nota pessoal, eu não me sinto menos mulher. Eu me sinto segura de ter feito uma escolha forte que não diminui em nada a minha feminilidade.
Tenho a sorte de ter um parceiro, Brad Pitt, que é tão amoroso e solidário. Então, para quem tem uma esposa ou namorada passando por isso, saiba que você é uma parte muito importante do processo de transição. Brad estava no Pink Lotus Breast Center, onde fui tratada, em cada minuto das cirurgias. Conseguimos encontrar momentos para rir juntos. Sabíamos que essa era a coisa certa a fazer para a nossa família e que iria nos aproximar ainda mais. E aproximou.
Para qualquer mulher lendo isso, espero que ajude você a saber que tem opções. Eu quero encorajar toda mulher, especialmente se você tem um histórico familiar de câncer de mama ou câncer de ovário, a procurar os especialistas médicos que podem ajudá-la nesse aspecto de sua vida, e fazer suas próprias escolhas informadas.
Eu reconheço que há muitos médicos holísticos maravilhosas que trabalham em alternativas para a cirurgia. Meu próprio regime será publicado oportunamente no site do Pink Lotus Breast Center . Espero que isto seja útil para outras mulheres.
O câncer de mama sozinho mata cerca de 458 mil pessoas a cada ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, principalmente em países de baixa e média renda. Tem de ser uma prioridade garantir que mais mulheres possam ter acesso aos testes genéticos e tratamento preventivo, independentemente de sua condição econômica, onde quer que vivam. O custo dos testes para BRCA1 e BRCA2, é maior que US $ 3.000 nos Estados Unidos, e continua a ser um obstáculo para muitas mulheres.
Eu optei por não manter a minha história privada, porque há muitas mulheres que não sabem que elas podem estar vivendo sob a sombra do câncer. A minha esperança é que, elas também, vão ser capazes de fazer o teste genético, e , se elas tiverem um alto risco também, vão saber que têm opções fortes de tratamento.
A vida vem com muitos desafios. Os que não devem nos assustar são os que podemos enfrentar e controlar.❞
Angelina Jolie é atriz e diretora.

Hoje é a minha Colação de Grau


Ainda não deu para colocar tudo aqui em dia por esse motivo:



O anel foi presente do meu Pai, clique na imagem que ela fica maior.

Hoje é a minha Colação de Grau. Não sei bem dizer o sentimento que está passando pelo meu coração agora. É um misto de tudo: sensação de dever cumprido, alívio, orgulho, nostalgia por minha mãe não poder me ver recebendo o canudo, mas eu dedico esta formatura a ela (minha mãe) e ao meu Pai, que não foram simplesmente pais de parto, de gestação, foram pais de dom, opção e acima de tudo amor. Um brinde a eles!


Os posts abaixo eu estou publicando
anteriormente a este aqui:

✘ da minha viagem a Natal, RN;

✘ preparativos do Batismo de Aline;
✘ chegada da minha prima dos EUA que veio passar férias aqui;

✘ e minha colação de grau, claro!

❝Nós constantemente estamos nos esforçando para o sucesso, fama e conforto, quando tudo que nós realmente precisamos estar contentes forem alguém ou alguma coisa para ser entusiásticas aproximadamente.❞ — Sr. H. Jackson Brown
.

❝...a UFRPE nomeia então Fabíola Celcina Maia...❞

Como se já não bastasse ser bonita, simpática, cheirosa, bem apessoada, inteligente, fala cinco línguas fluentemente, tem ótimas idéias, suuuper gente boa, esperta, responsável, uma pessoa com um senso de humor incrível, concorreu a três Oscar, recebeu indicação para o Nobel da Paz... e ainda é BIÓLOGA?!

Começando a apresentação, adrenalina a mil.

Mas depois a BIOLOGIA entra dentro do meu ser, eu sinto, eu respiro, eu exalo, eu ensino a VIDA.

Momento de tensão com a Banca Examinadora, quase não me fizeram perguntas, mas pediram para que eu confirmasse uns dados... e elogiaram. Mas, eu ainda não estava tranquila.

Assinando a ata, tudo sacramentado, agora é esperar a nota!

Olha a cara do meu Pai, da pra adivinhar qual foi o resultado?!

Tipo assim, depois da minha Orientadora dizer todo o blá-blá-blá mais lindo que já ouvi ela diz: ❝...a Universidade Federal Rural de Pernambuco nomeia então Fabíola Celcina Maia Pereira, com nota 9,83 e conceito "A" no histórico, o grau de Bacharel em Ciência Biológicas com louvor!❞

Aí ela me deu a palavra para meus agradecimentos e eu comecei: ❝Se eu realmente fosse agradecer devidamente a cada pessoa a quem devo o meu 'obrigada' daria outra monografia - todo mundo riu -, mas eu vou começar pelo mais alto, por Deus, que me deu a vida e me deu a oportunidade de viver. Agradeço a minha mãe biológica por ter me deixado na maternidade ao ver que não poderia cuidar de mim - nessa hora eu já estava com um nó na garganta - e, assim, ela me proporcionou ter os melhores pais que alguém pode ter - dái eu olhei pro meu Pai e ele já estava querendo chorar, respirei fundo e continuei... - os melhores pais que qualquer um tem aqui nessa sala. Eles que me ensinaram que fazer o bem é bom sempre, ele; meu Pai e minha mãe Terezinha, já falecida, mas que eu sei que aonde quer que ela esteja está muito orgulhosa nesse momento, eles, os MEUS PAIS, é que merecem o 9,83 - Papai já chorava e eu me segurava -, agradeço também a minha querida orientadora, aos meus amigos, enfim, obrigada a todos. Sou feliz por ter vocês em minha vida, Graças a Deus. E obrigada meu Pai, só o Senhor é 10!❞

Ah, e obrigada a todo mundo que me deixou mensagens positivas de força, deu muito certo, viu? Não posso dizer que foi fácil, facinho... Mas posso dizer que valeu a pena cada segundo gasto e faria tudo de novo, especialmente para ver a carinha do meu Pai roxo de orgulho!!!

You are my SunShine

Para os Raios de Sol da minha vida,
e você, com certeza, pode se sentir sendo um deles.





Depois da defesa da minha tese na próxima Quarta-feira (7) às 18:00hrs eu volto, e espero que com maravilhosas notícias para todos nós. Fiquem com Deus; eu tenho certeza que estou com Ele e Ele comigo!!! Caso contrário, eu não teria chegado até aqui...

★ Jeremias 16:19 ★
❝O SENHOR, fortaleza minha, e força minha, e refúgio meu no dia da angústia.❞

Vida que escorre pelas mãos...

a vida não é uma coisa muito fácil de se levar - em alguns dias -, em outros nem tanto. tudo é tanta felicidade... já em alguns a saudade do que passou, do que foi bom, a dor dos que não temos mais ao nosso lado é sufocante; como hoje. deixo aqui uma carta que minha prima-irmã nayara me escreveu quando mainha estava no hospital - vcs já devem estar cansadas de ler sobre ela, a nay - e, apartir de hoje, paro de entítula-la de 'prima-irma', agora será irmã mesmo, porque é isso que ela é e foi assim que fomos criadas: como irmãs. digo isso porque colocava sempre 'prima-irmã' para deixar as coisas entendíveis, mas enfim, apartir de agora é irmã (e ponto final!).

na época de carta eu tinha 16 anos e ela era uma menina de 8 naos. e apesar de todos nosso otimismo minha mãe nunca mais voltou para casa, veio a falecer 14 dias depois.

observações: para a carta ficar entendível esclareço que brigita, magrelita, zorro e catraia eram os meus gatos, que na época meu pai (francisco) levou para adoção. segundo papai, como eu estava no hospital cuidando de minha mãe não tinha mais ninguém para cuidar deles aqui em casa. mas na verdade, o que não tínhamos era cabeça para pensar em outra coisa a não ser na minha mãe. dai, cada amigo ficou com um dos gatos e aqui em casa só ficou o zorro, que só morreu anos depois, de velhice.




enfim, o tempo de dor e saudade aqui ainda tem sido grande e pesado. peço a Deus, todos os dias para me dar serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu possa, e sabedoria para que eu saiba a diferença: vivendo um dia a cada vez, aproveitando um momento de cada vez; aceitando as dificuldades como um caminho para a paz; indagando, como fez Jesus, a este mundo pecador, não como eu teria feito; aceitando que você tornaria tudo correto se eu me submetesse à sua vontade para que eu seja razoavelmente feliz nesta vida e extremamente feliz com você para sempre no futuro. amém!

bem, e lembram no meu primo que faleceu?! pois é, o irmão dele - o que postei em novembro as fotos do casamento -, descobriu uns 7 dias após o falecimento do irmão que a esposa dele, a amanda, está grávida. obrigada Senhor por mais essa benção e por mais esse detalhes desta viada que o Senhor abençoa cada dia mais.


♫ bella's lullaby - debussy - clair de lune (twilight soundtrack) ♫

então tá, momento mulherzinha-mulherzinha...

e eu ando mulherzinha-mulherzinha demais. vc não sabe o que é ser uma mulherzinha-mulherzinha?! tu podes não saber o que é, mas com certeza é uma também. afinal toda e qualquer mulher já comeu uma caixa de 'bis', por ansiedade, uma alface, no almoço, por vaidade ou, um canalha por saudade. enfim, nós somos assim, perfeitinhas, charmosinhas e vaidosas.

eu tenho tido muitos momentos de vaidade ultimamente. a começar pelas compras de roupas que não param. o melhor de tudo é que poucas - ou quase nenhuma - dessas minhas últimas aquisições tem saído do meu próprio bolso. eu tenho encontrado ótimas promoções e tanto charles quanto papai vem patrocinando minhas compras de bom grado. thank's God!!!

a questão das roupas não foi tanto nem por vaidade é necessidade mesmo. perdi quase todas as minhas roupas com o emagrecimento, até os pijamas antigos não serviam mais e para ser sincera eu não fazia questão de roupas moderninhas ou novas a cada final de semana antes da gastroplastia (...) também podera, achar roupas para mim era um verdadeiro inferno - blusas do GG pra cima, e calças do 54 pra cima -. hoje em dia não, né?! tudo mais fácil. qualquer número P entra, se não tiver tamanho pequeno uma M também veste bem. e com isso eu fiquei sim mais vaidosa. me olho no espelho beem mais que antes, acho fofo o caimento de algumas roupas no meu novo corpo e descobri novos prazeres; além de, é claro, ainda cultivar os antigos, como a maquiagem por exemplo.

meu lado mulher de ser sempre foi muito aflorado quando o assunto eram cremes, hidratantes, produtos para cabelos e maquiagem. eu não tive minha mãe para me ensinar de fato a gostar de tudo isso - ela faleceu quando eu ainda estava na adolescencia, então curti pouco esses ensinamentos que são passados de mãe para filha -, mas mesmo assim me tornei uma mulher antenada quando o assunto é make-up, igualzinho como minha mãe era. acho que eu nunca contei, não da forma que vou contar agora, mas minha mãe nasceu na década de 20, no fim dela é verdade, mas nasceu. e os valores para mulheres naquela época eram muito diferente dos de hoje em dia: as mulheres deveriam ser criadas para serem excelentes donas de casa e mães.

mas com minha mãe foi diferente. mamãe cresceu numa casa com dez irmãos, sendo cinco homens e cinco mulheres. todos eles estudaram, se formaram e viveram suas vidas independentemente dos padrões da época. sendo mais clara eu digo que mamãe se formou em pedagogia, trabalhou e só então, lá pelos 45 anos é que ela casou. vamos e convenhamos que isso é moderno demais até para os tempos de hoje! como não podia ter mais filhos mamãe e papai adotaram meu irmão e eu. para se ter idéia de como mamãe traçou um destino único para ela eu vos digo que ela me adotou aos 51 anos de idade e foi exatamente na mesma época que ela se aposentou por tempo de serviço da secretária de educação daqui de pernambuco. pouco comum, não?! mas assim era a minha mãe... absorvendo desafios quando as pessoas pensavam que nem tinham mais direitos a eles. transgredindo de uma forma tão única que as pessoas não achavam que ela estava sendo ousada, ela apenas estava sendo ela mesma.

com minha mãe eu aprendi a gostar de produtos pond's, a combinar roupas de várias épocas a um estilo único de ser, a amar sapatos altos - mesmo eu tendo 1m72 de altura - e a conquistar todos os meus sonhos, sejam eles quais for. mamãe sabia dirigir, mas achava mais elegante ser conduzida. minha mãe achava o fim não se ter dentes perfeitos ou não cuidar deles; para ela o sorriso de alguém era o maior de todos os cartões de visita. mamãe pode não ter tempo para me orientar sobre educação sexual ou coisas do tipo. ela não teve tempo para conhecer meu primeiro namoradinho, mas ela deixou uma herança única dentro de mim, ela me deixou um espelho a ser seguido que era ela mesma.

amiga, competente em tudo aquilo que faz, fiel, cortês, gentil, elegante, educada, refinada, discreta, vaidosa, cuidadosa, zelosa, excelente dona de casa, leal, prestativa, esposa impecável e mãe amorosa era o que minha mãe era e é o que eu tento ser a cada dia um pouco mais.

mas, com essa reforma que estou fazendo aqui em casa descobri muitas coisas de minha mãe que eu só sabia muito superficialmente como, por exemplo, a paixão dela por cristais, louças, porcelanas e faqueiros. tudo bem que eu sempre soube que tinha tudo isso aqui em casa e que eu havia herdado tudo isso, mas era meio doloroso olhar para aquilo tudo e em raras ocasiões eu retirava algo para usar já que o estoque de pratos, talheres e copos de dia-a-dia daqui de casa é muito grande. mas enfim veio a reforma e com ela uma enxurrada de coisas novas-velhas. novas no sentido que eram quase inéditas para mim e velhas porque muitas foram do enxoval da minha mãe. coisas super antigas e intocadas, louças mineiras ainda dentro da caixa, talheres italianos... verdadeiras relíquias que hoje em dias é muito raro de se ver, ainda mais em tão perfeito estado.




ver isso tudo foi quase como abrir uma arca do tesouro. fiquei encantada com tudo e pensando que minha mãe escolheu tudo aquilo detalhe por detalhe, eu jamais poderia ter feito trabalho melhor. é de fato uma herança, mas não só pra mim, minha idéia é fazer desse acervo algo acessível para muitos, mais ainda não sei como, vou pensar numa maneira disso se realizar. o blogger já ajuda um bocado, mas ao vivo e a cores tudo vida bem mais belo, posso garantir. enfim, foi uma grata surpresa de Natal descobrir tantos detalhes, redescobrir minha mãe.

me orgulho até demais de ser minimamente parecida com o jeito de ser dela porque isso não é o meu natural. eu não nasci com o dom de saber com qual talher isso combina ou como o guardanapo deve estar disposto a mesa; eu me esforço pra ser assim na verdade. me esforço porque eu achava (e ainda acho) lindo isso na minha mãe e quero um dia que meus filhos tenham essa admiração por mim e pela avó deles. eles não vão poder conhecer a avó pessoalmente mas vão ouvir todos os dias, antes de dormir, lindas histórias sobre a mulher da minha vida: a minha mãe a quem devo tudo e mais um pouco.

para minha mãe o jeito mulher-mulherzinha de ser era assim, divinamente único. quando eu digo mulherzinha-mulherzinha é praticamente batendo palmas para nós MULHERES que é claro já em algum dia de nossas vidas já apertou o pé no sapato para caber, a barriga para emagrecer ou um ursinho para não enlouquecer e mesmo assim, mesmo com todos os problemas da vida, continuamos lindamente mulheres.

hoje se completam 10 anos que minha mãe faleceu. ela se foi quando eu ainda era muito nova, 17 anos. tinha acabado de terminar o segundo grau e nem preciso dizer que foi um verdadeiro pânico em família, não é? minha mãe sofria de hipertensão severa e hipotireoidismo. na época, nada fazia efeito, nenhum tratamento; e então, depois de dois anos doente ela partiu, numa manhã de 21 de janeiro, depois de nove dias em coma. apesar da pouca idade, quem ficou com mamãe todo o tempo, em todas as internações foi eu, 24hrs por dia, o tempo todo!!! ela só me queria e eu queria ficar o tempo todo com ela! sempre fui apegada demaiiis aos meus pais, corria do meu quarto pra dormir no meio deles, quando cresci o grude ainda era tamanho que ganhei uma cama no quarto deles, que sempre foi enorme. mas vamos e convenhamos, isso tira a privacidade de qualquer casamento. não sei como eles aguentavam, mas enfim, sempre fui a filhinha do papai e da mamãe.

fui um bebê normal, sem dobras mas fofinha, como podem ver na foto acima - eu com três meses, meu irmão com quatro anos e minha mãe -, me tornei uma menina muito magra, de dar dó, só tinha olhos e joelhos!!! sofria de asma e bronquites regularmente, ficava internada direto. injeção de decadron era a minha melhor amiga, assim como as de aminofilina. berotec eram frascos infinitos... e assim fui até a adolescência. fiquei alta, com 1m72, era a típica garota bonita de rosto e de corpo, o oposto da infância. me acostumei tanto a ser o patinho feio da família que desabrochei e nem percebi, quando eu fui perceber eu já estava era gorda, mas eu pulei uma grande parte da minha história de fole humano, que começou imediatamente com a doença de minha mãe.

eu sempre nadei, por conta das crises de asma, meu pediatra indicou a natação como fisioterapia respiratória e daí nasceu uma campeã. competia em torneios e tenho incontáveis medalhas em casa. nadei pela AABB, Banorte e pelo colégio que estudava. fiquei com corpo de nadadora mesmo, nos meus 15 anos estava no auge da forma física e ainda fazia ginástica olímpica, outro esporte que amo! enfim, eu comia bem, mas me exercitava muito. quando mamãe ficou doente, tudo ficou para trás, eu amadureci muito e era a filha-amiga-enfermeira-companheira dela. com isso, a verdade, é que eu não tinha vida própria, mas nem tô me queixando não, eu era feliz demais, apesar de tudo o que estava vivendo, só por ter ela ao meu lado. a presença da minha mãe e do meu pai era o que eu mais amava e todos os que me conhecem podem comprovar isso. mas enfim, eu continuei e a comer o que sempre comia, maaas, como não tinha tempo pra fazer mais natação nem nada e vivia tomando corticóides para as crises de asma, que ainda tinha, a engorda foi inevitável! em um anos engordei 10kgs. quando mamãe estava no hospital, há 10 anos atrás, eu pesava 81kg. nunca tinha pesado tanto em toda a minha vida, até aquele momento... eu vivia acordada a noite toda, comendo chocolate, diga-se de passagem, e vendo a sonda dela (mamãe se alimentava por ela) e se o soro tinha acabado, além da fralda, que eu trocava sozinha, assim como dava banho. mamãe era a paciente mais linda, perfumada e bem cuidada do hospital, eu fazia tudo, as enfermeiras me ensinavam uma só vez e eu assumia, fazendo tudo bem direitinho; foi a vez dela ser o meu bebê. a obrigação era das enfermeiras, mas a mãe era minha e eu sabia que comigo ela estava melhor cuidada. no dia 20 de janeiro de 1999 ela acordou depois depois de oito dias de coma, de madrugada. eu estava acordada e ela apenas me olhou, fixamente, eu conversei com ela, disse que estava tudo bem, que os remédios iam fazer efeito e que ela ia ficar boa, ela não falou nada, apenas ficou me olhando, olhando... e no dia seguinte ela faleceu de falência múltipla de órgãos.

apartir dai começou toda a minha saga. eu não dormia a noite, passava o tempo todo vendo tv e comendo, comendo, comendo. naquela época ninguém falava em compulsão alimentar, muito menos em bulemia, que adquiri menos de um ano depois. ganhei mais dez quilos depois que ela faleceu, totalizando o peso de 90kg. vivia vendo tv, comendo, chorando e comendo. até que eu levei pau no vestibular da federal daqui de PE e entrei num cursinho pré-vestibular. o mais badalado de recife, cheio de patricinhas com roupas lindas e corpos igualmente perfeitos, canetas cor de rosa com peruca cor de rosa choque, fichários da milk e cadernos da chipie. eu não era diferente (a tirar pelo corpo) e não sei como, mas comecei a vomitar o que comia, e quando comia. eu só me alimentava a noite! só a noite, que depois foi explicado que também é um tipo de compulsão. eu ia dormir as 4hrs da manhã e acordava aomeio dia, pra ir a aula. não almoçava e nem tomava café, minha primeira refeição no dia era por volta das 16hrs, no último intervalo das aulas. comia sempre um salgado, um refri e de sobremesa torta entupida de chocolate. vomitava tudo no próprio banheiro da escola, e me sentia bem assim. quando chegava em casa jantava com papai - que se tornou pai&mãe da melhor qualidade que se pode existir -, mas em seguida vomitava escondido. só de madrugada que comia miojo ou algo assim, era a única refeição que parava na minha barriga, e sendo assim, emagreci 20kg de um dia pro outro. emagreci tanto que as pessoas achavam que eu estava doente; e no fundo estava mesmo, mas até então ninguém sabia o que eu fazia. papai me mandou para terapia, achando que eu tinha depressão e que por isso estava magra daquele jeito. todo mundo me via comendo e não entendiam como eu poderia estar tão magra, chegaram a pensar em leucemia e coisas do tipo. nem a psicóloga desconfiou, nunca contei nada a ninguém sobre os vômitos... até que um dia eu desmaiei em casa. papai me levou pro hospital e eu passei uma noite lá. a médica ficou desconfiada quando papai disse que eu perdi mais de 20kg em poucos meses, dai ela me perguntou em segredo se eu vomitava, eu me surpreendi com a pergunta dela, sei lá, nem eu fazia idéia que aquilo era doença, por fim admiti!

ela me encaminhou a um tratamento e depois de um ano eu fiquei livre da bulemia, mas em contra-partida fiquei obesa. continuava com os corticóides e comendo como uma praga, sem me exercitar. não queria mais nadar, nem nada! ainda tinha depressão para vencer. e assim se passaram os anos, eu engordando, engordando. meu fígado adoeceu por conta dos corticóides e em 2007 eu recebi a proposta do meu cirurgião para fazer a redução. demorei um ano para encarar essa proposta realmente, mas acredito que aconteceu no momento que tinha que acontecer mesmo, no caso em nov. de 2008. hoje estou com 2 meses e 7 dias de operada, ainda faltam 10kg para a minha meta, mas 20kg já se foram. outro dia tive a minha consulta de revisão de cirurgia, a dos 60 dias de operada, e estou bem, o figado já apresenta melhoras... o mais difícil mesmo é vencer a compulsão, é uma luta diária comigo mesma, com a minha mente. perco uns dias e ganho em outros, mas estou vencendo até agora. e tenho certeza que minha mãe, esteja aonde estiver, está torcendo por mim e me ajudando para que eu tenha uma vida saudável, porque feliz eu já estou, apesar da falta imensa que ela me faz. mamãe foi a maior lição de vida que tive, sabe aquela música "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã"? assim foi com nós duas, vivemos intensamente uma pra outra e não tenho arrependimentos, apenas saudades, muitas saudades...

obrigada mãe, por tudo!
saudades de sua filha querida, bibi.

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